A gratidão é a virtude das almas nobres. (Esopo)
Procuremos, pois, todos nós, transformar a gratidão sentida em gratidão manifesta. (...) Todos vivemos espiritualmente daquilo que os nossos semelhantes nos deram em horas decisivas da nossa vida. Essas horas não se anunciam, mas sobrevivem inesperadamente. Tampouco se apresentam com alarde, mas com singeleza. Não raro sua importância só vai acudir-nos um dia, em forma de recordação, tal como a beleza de uma música ou de uma paisagem só se nos torna consciente através da lembrança.
Quantas parcelas de mansidão, de bondade, de força para perdoar, de sinceridade, lealdade e resignação no sofrimento que conseguimos assimilar devemo-las a homens que nos deram exemplos nesse sentido, em circunstâncias ora graves, ora corriqueiras. Como se fossem produzidas pela luz de um clarão, seus atos iluminaram e inflamaram-nos subitamente a alma.
Não acredito que se possam inocular idéias em alguém se estas já não existem nele virtualmente. Em geral, todos os bons sentimentos e pensamentos já se encontram ocultos no homem, como matéria inflamável. Esses inflamáveis, porém, ou parte deles, só se transformam realmente em chamas quando uma fagulha de fora, propagada por outrem, estabelece o contato. Não raro acontece também que a nossa luz, prestes a apagar-se, é reavivada por algum ato do próximo.
Por isso, todos devemos lembrar-nos com profunda gratidão daqueles que atearam essas chamas em nós. Tivéssemos presentes, à nossa frente, aqueles que foram nossos benfeitores, e pudéssemos mostrar-lhes quanto influíram sobre nós, certamente se espantariam com aquilo que, de sua vida, passou a fazer parte da nossa.
Albert Schweitzer
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